NEANDERTAL

Em Nome dos Espíritos

Postada em 2011-03-17, por: Virginia de Azevedo e lida: 2824 vezes!


EM NOME DOS ESPÍRITOS

A vila está agitada, enterraram o prefeito vivo, mas valeu o ato. Os espíritos da vila andam ouvindo tanta bobagem que até arrepiaram os cabelos. Os negrinhos da lomba, aqueles que lutaram na grande guerra gaúcha ou sulina se engasgaram com canha.

- Negrinho! Não me passa o mate, me passa a canha, estou apavorado.

- É mesmo patrão, está difícil. Mas o que que houve afinal que não estou entendendo.

- Apareceu nesta vila uma tal da paranormal, com uma tal de consulta bem baratinha, 250 mil réis. Além de tudo isso, culparam essa que escreve sobre a gente de uma tal batuqueira!

- Mas patrão, ela é!

- Se sabe, a vila sabe, ela não esconde.

- E quanto ela cobra patrão?

- Olha negrinho, ela nem faz o que já sabe fazer. Mas ela soube de uma coisa terrível, negrinho. A tal paranormal é uma vigário, como diz aquele que “cospe, sua e que transforma um tal de xis em camarão”.

- Mas patrão, ele anda com uma coisa que fala por toda a vila.

- Eu sei mas ele fala dele mesmo.

- Patrão, o que aconteceu? A tal “muié” que fala dos “espírito” foi presa. Ela não ouve e nem vê nada.

- Mesmo patrão?

- Mesmo negrinho, tem até retrato dela entrando num carroção com o dito vulgo marido.

- Mas patrão?...

- Fica quieto negrinho, me dá canha (este tiro “atrapaia” e perco metade dela). A tal chapa (foto) mostra a “muié” presa.

- Tá eu entendi e esta que escreve aqui?

- Ela “tá” contando a história negrinho burro. Chamaram a coitada de periquita

- E ela?

- Ficou meio entreverada e chateada mas continua contando a nossa história.

- Patrão, quem é o “Ozébio”? E quem é uma tal de “tia”?

- O “Ozébio” é um que ensina musiquinha de menina.

- Mesmo?

- Atirei o pau no gato, o coelinho da páscoa.

- Mas patrão, isso é coisa de “muié” fêmea não é?

- É negrinho, mas a tia e as sobrinhas são chinocas “mui” finas e nem daqui da vila são.

- Patrão.

- Diga.

- Mas este homem é “terriver”

. - Não é não negrinho.

- Tu sabe onde é um tal de Foro?

- Sei sim, agora tem dois.

- Pois tu entra lá como quem não quer nada e tira tudo que tem dele lá. Até porque negrinho, eu vou ajudar a moça que está escrevendo.

- Certo patrão.

- Eu acho que vou até aparecer pra ele, “vamo vê” se ele me vê. O espírito do negro deu uma risada das buenas e “goleou” mais um trago, limpou o que saia do furo da bala e bebeu.

Na mesma panela

Juntos e misturados todos. Gostei do Guex falou bem. O cara do IPTU é pré.

A idéia do intendente: A idéia ditatorial. “Juntamos todos e fizemos uma chapa única”. Eu não disse: contra ele só o Nascimento e seus caveiras. Olha ó que estranho. Quem juntava merda era eu com a pá, agora o partido do intendente junta a escória viamonense. Saiu lambidinho na foto. Era padeiro e o pai foi vereador. Não era “louro” mas se chamava Zé. Eu sei que estou um pouco séria, mas não se brinca com vidas. Não se mente ao ser humano que procura ajuda. Não se pede à alguém aquilo que não tem. Obrigada ao meu pai por ter me feito assim branca, negra, parda, batuqueira sim, vigarista não. A vida é linda loucos a fazem triste. A auto-afirmação é a insegurança. A loucura esconde um chinelo fraco, covarde que se pode enquadrar na Maria Penha. Senhores políticos: este homem é a escória do ser humano, gruda o nojo, dá vontade de vomitar. Mas o que é dele está muito bem guardado. Vou tomar meu chima, fumar meu pito, falar com meus amigos, cuidar da minha vida e ajudá-los. Amigo é para isso. O que eu tenho de saudades é do tempo do pau-ferro. À todos os policiais civis: ele é a vergonha da guarnição.


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