NEANDERTAL

Relato

Postada em 2011-05-11, por: Virginia de Azevedo e lida: 2237 vezes!


RELATO

            Desceram do ônibus. Aliás acostumados com carruagens os dois não sabiam o que era aquilo de lata com mil criaturas espremidas, exalando um cheiro mais ou menos conhecido pelos mesmos, uma mistura de perfume com banho de sábado.

-É aqui?
-Acho que é.
-“Tá” diferente.
-Se está.
-Vamos andar e ver as denúncias.
-É mesmo o cara não vai nos perdoar.
-É verdade.

            As criaturas desconhecidas andaram pelas ruas, sem se quer serem notadas.

-Ouço gritos, o que sera?
-Não sei ainda mas, breve saberemos.

            Andaram, andaram e cansados resolveram relatar os fatos horríveis pois a denúncia não era falsa não.
            “Senhor, ao andarmos pelo vila notamos mais erros do que acertos”. Nos pasquins da mesma há um linguajar chulo como por exemplo, meretrizes, bêbados, drogados, são pasquins, pequenos e baixos.
            Há um tentando melhorar, o outro ataca o intendente sem escrúpulos. Todos vibram com isso. Notamos um movimento com bombardeios sobre um tal semáforo de uma estrada que chamaram de RS 118, mestre? Faz anos que isso está aí e nada sai do papel, só passeatas. Estamos relatando o mínimo.
            Entramos em uma fila enorme, pasme mestre, estava procurando um dito médico e não encontravam. Estávamos no hospital.
            Não sabíamos bem se eram remanescentes de guerra ou senhores à procura de cura, uma louca até que certa, chamou o curandeiro de veterinário, pensamos que eram animais mas, não mestre eram seres humanos. Percebemos a volta da ignorância no meio da inteligência e a sujeira em vez de limpeza.

-Eu morri de tuberculose.
-Mas isto era o mal do século.
-Mestre é um hospital de guerra mesmo.

            A medida que saíamos e procurávamos, o pior encontrávamos. Alguém também quis faturas em uma estátua do colega que está com o senhor aí, por R$ 25 mil. É impressionante. Ouvimos falar de uma fera e não encontramos e então, fomos até o circo. Eram poucos, mas como consumiam café e chimarrão, suas palavras, foram jogadas ao vento por um que as liam e ninguém ouviu. Mestre, é muito complicado.
            Mandou-nos o senhor atrás da cultura, não achamos e sentado meio rasgado, achamos um livro e até ficamos surpresos, ele estava colado e nós estávamos dentro dele mestre. O dono da vila é meio estranho sempre numa reunião e não conseguíamos entrar. Haviam espíritos tortos e não deu. A briga aqui é de quem é o que e de quem ocupará o trono. Briga mesmo. Todos serão melhores do que os outros melhorarão a vila que segue há quase 300 anos sem hino. Aqui vai o que falta na vila:
            Saúde.
            Educação.
            Cultura.
            Homens sérios.
            Vergonha na cara.
            Língua menor.
            Não pessoas chulas e baixas.
            Pessoas capazes, menos comedoras do bolo (é uma expressão mestre), está um caos.
            Aos cuidados de Deus, assinado, Machado de Assis e seu assistente Rui Barbosa.
            PS.: Lamentamos tudo isso mestre mas, é assim que se encontra a “mui” valorosa Vila Setembrina dos Farrapos. A propósito, aquela que chamam de louca, está sendo muito cotada para material de uso nas campanhas políticas. E como dizem por aqui ela está “in-off”.

            Se fosse real a coisa imaginem o terror deste dois grandes da história brasileira ao pisarem na terra dos áureos portugueses que fizeram a vila.
            Valeu, meio sem graça mas curto e grosso. Não há cultura e as festas é para quem pode. Jornalistas jogando esterco no ventilador de cada um, jornais baixos, pessoas despreparadas em lugares óbvios.
            Recadinho ao Jussemar: eu sou e muito inteligente, todos são cegos eu só não me vendo. Àquele pede emprego até para o cara da madeireira e o “Júlio” com o início do frio, encolheu. Sem pitaco não tem graça né. A propósito a Rádio Santa Isabel saiu, 21 de maio teve festa. Parabéns pois o Broda correu com esta antena para mais de metro, pena que não pega aqui.

            Dedico este a todos que me leem e reconhecem que a vila é um Brasil há 25km de Porto Alegre. Dizem que o intendente tem uma revenda de automóveis e um posto de gasolina. Não sei, malha fina. Quem duvida é louco.


Recomendamos